O Brasil precisa de Mais Médicos?

(Texto publicado na página do facebook de Felipe C. Argolo)

Minha última postagem gerou uma polêmica positiva e ficou uma curiosidade geral em olhar os dados sobre densidade de médicos no Brasil em relação a outros países.

Pois bem, peguei os dados do World Bank sobre densidade de médicos (por 1000 hab.) e cruzei com os dados da WHO sobre indicadores de saúde. Usei os dados mais recentes disponíveis para cada país (pelo menos mais recentes que 2010).

Ao começar a explorar os dados, plotei a densidade de médicos com a expectativa de vida saudável (EVS). Para minha agradável surpresa, encontrei uma linda curva logarítmica.
Primeiro eu pensei em como a matemática, a estatística e o universo são bonitos. Depois, fiquei curioso em ver onde o Brasil e outros países estavam no gráfico.
A figura está abaixo.

LEHealthy

 

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Facebook e tamanhos de efeito

FB ethical unethical

Um estudo publicado há pouco tempo causou polêmica no meio científico e nas redes sociais. Kramer et al investigaram, no cenário de uma rede social na internet, o Facebook, se a exposição a emoções positivas ou negativas levaria as pessoas a publicarem mais postagens com conteúdo semelhante (maior exposição a postagens negativas de outros usuários à maior proporção de publicações negativas pelo sujeito da pesquisa; e vice-versa). Estudos anteriores já haviam se debruçado sobre questões relativas a “contágio emocional”, mas nenhum havia verificado, experimentalmente, se este fenômeno ocorre na ausência de interações diretas entre o sujeito de origem da emoção e o sujeito-alvo e na ausência de linguagem não-verbal. Continuar lendo

“Doutor, o resultado deu positivo. E agora?”

Talvez quase tão angustiante quanto a sensação do paciente, que busca uma orientação, seja a posição do médico, confrontado com essa pergunta, ao avaliar o exame e seu resultado.

Mas será que devemos olhar somente para o exame para decidir? Alguns são reconhecidamente duvidosos. Dependem da interpretação do observador, correlação com quadro clínico, escores… Nesses casos, a dúvida, paradoxalmente, nos deixa tranquilos.

“Nada está fechado e vamos prosseguir com a investigação”.

Mas, e um exame laboratorial com 100% de sensibilidade e, digamos, 99,8% de especificidade? O teste rápido para HIV tem essas características. Parece ser um bom teste, não?

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